Graças à bicicleta(da) estou (re)descobrindo a cidade onde moro. Saí daqui com 8 anos e voltei com 20.
Quando vi as primeiras fotos da bicicletada (a de junho de 2008 se não me engano) e vi aquele bando de loucos com suas bicicletas na praça da Sé eu senti que queria estar lá no meio. Na minha primeira bicicletada pedalei em cima do Minhocão às 22h00, quando não existem carros, apenas pessoas (moradores de rua, trabalhadores voltando pra casa, etc.) Passar de bicicleta e ver as pessoas que moram na rua é muito diferente do que eu estava acostumado a ver quando passava de carro.
Explico, de carro você passa com o vidro fechado, rápido e com o som ligado, conseqüentemente você você não presta (ou finge não prestar) atenção no que acontece alí. De bicicleta toda essa realidade fica exposta da maneira mais crua possível.
Ontem combinei de me encontrar outros loucos para pedalar. Nos encontramos às 20h00 na praça do ciclista (Paulista X Consolação), mesmo com o frio de 13 graus reunimos 6 ciclistas. Fomos rumo ao centro da cidade (sem um destino certo, apenas descemos).
Pedalamos pelo Anhamgabaú, Bovespa, Pateo do Colégio, Liberdade, etc. Nessa pedalada nos divertimos, gritamos, corremos, brincamos e quando estavamos no Pateo fizemos música. Explico, quando chegamos lá, tocamos o sino várias vezes. Um policial apareceu e, brincando, falou que deviamos tocar apenas uma vez o sino. Depois de algumas risadas ele perguntou se alguém ali tocava piano, e apontou para o canto do Pateo onde estava um piano coberto por um plástico.
Corremos até lá e em menos de um minuto uma das pessoas que estava com a gente ja estava sentada e tocando. Eu também toquei um pouco, e enquanto eu tocava apareceu um senhor com um violão e improvisamos (ou tentamos improvisar) um blues.
Eu poderia ficar a noite toda, mesmo com aquele frio, tocando piano e escutando aquele “louco” com seu violão. Foi simplesmente mágico. Nosso passeio, que já estava muito divertido, foi único.